O projeto atenderá adolescentes de 15 a 19 anos em situação de vulnerabilidade social, regularmente matriculados em instituições públicas de ensino de Bom Despacho, principalmente do Bairro São Vicente, que possui três escolas de educação básica com 1700 alunos. Na cidade de Bom Despacho o número de alunos no nível médio é de 1932 alunos (dados do Censo Escolar/2004, fornecidos pela Secretaria Municipal de Educação).
Há um consenso entre os cientistas do comportamento de que a adolescência, em nossa sociedade, é marcada por uma infinidade de sofrimentos, incertezas e fragilidades, o que acaba por colocar os adolescentes ao alcance do fanatismo de algumas religiões, do submundo do crime organizado, das drogas ilícitas, das doenças sexualmente transmissíveis, além da gravidez precoce.
Mas sabemos que a adolescência é também a fase da abstração, da poesia, da esperança, da descontração e de um porvir. Nela, mais nitidamente encontramos o frescor das idéias, a abertura ao novo e o gosto pela aventura. Adquirir conhecimentos pode ser uma aventura interessante, conquistar novos amigos e parceiros, plantar as raízes de uma carreira profissional, viabilizar a realização dos sonhos e desejos, pode dar mais intensidade à descontração e à alegria próprias dessa idade.

Especialistas na área de mercado de trabalho têm sugerido que se mude um modo de pensar, que se transforme um jeito antigo de buscar por emprego, incrementando um novo olhar sobre essa realidade em constante transformação. Indicam o empreendedorismo como solução, assim, em vez de se buscar uma colocação no mercado de trabalho, deve-se encontrar alternativas de prestação de serviços às pessoas ou às empresas da comunidade. Nesse caso, prevalece quem ousar, inovar, propor alternativas viáveis e criativas. Esse interessante tema atravessa nossas reflexões e cruza nossos caminhos no mesmo contexto em que optamos por pensar num emprego ainda possível, em um contexto que de fato deixa à mostra um mercado de trabalho em recessão. É exatamente porque o número de oportunidades é cada vez menor que a proposta da Escola Cidadã se faz oportuna.
Urge introduzir um diferencial para esse educando, um aprimoramento tal que o coloque em evidência, que o destaque em conhecimentos, técnicas, habilidades e competências.
Entre o vozerio que se faz ouvir num mundo conturbado, de oportunidades parcas, a voz desse nosso projeto ecoa em forma de convite, como alternativa à desorientação própria da adolescência, ao despreparo para um mercado de trabalho cada vez mais exigente, uma indicação numa realidade em falta de perspectivas.
Ademais, o governo federal, por meio do Ministério da Educação, vem conclamando para que as universidades do país cumpram sua função social, conjugando devidamente os termos ensino, pesquisa e extensão. Acreditamos que a qualidade em educação passa pelo ensino crítico e atualizado, pela pesquisa ousada e independente e o trabalho de extensão deve se manter sensível aos reclames e demandas da comunidade local e acadêmica.